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domingo, 19 de agosto de 2012

Carta aos Ibegeanos

Companheiros, tomamos a liberdade de reproduzir, neste blog, a carta enviada por um companheiro de Minas Gerais a seus colegas. Acreditando que o conteúdo da carta diz respeito não apenas a Minas Gerais, mas a todo os ibgeanos do Brasil, disponibilizamos suas reflexões para que iluminem as nossas consciências e fortaleçam a convicção dos valorosos e persistentes lutadores e quiçá consiga atingir a fria indiferença daqueles que apenas assistem ao desenrolar dos fatos.

"Caros colegas,

Estamos vivendo um momento importante de nossas vidas. Estamos na reta final de um processo negocial duro, desgastante, caro do ponto de vista de nossos investimentos, onde depositamos todas nossas expectativas no reconhecimento de nosso valor, enfrentando descontos em nosso
s parcos salários e tendo do outro lado um governo truculento e insensível, mas que sentiu o golpe e a força de nosso movimento.

Como membro da Comissão Negociadora e membro da Comissão Paritária que discutiu as propostas para a alteração de nossa carreira, sinto-me na obrigação de prestar alguns esclarecimentos adicionais, mais como visão pessoal, visto que o relatório da negociação relata com fidelidade a última negociação.


Estamos em GREVE a quase dois meses e só agora, após várias rodadas de negociação o Governo apresenta um espectro de proposta. Digo espectro porque além de ridícula é vazia, volátil, sem consistência alguma, onde o senhor Mendonça abre a negociação dizendo que apresentaria os parâmetros da negociação, mas que reconhecia antecipadamente que independente de aceitarmos ou não o modelo proposto, teríamos obrigatoriamente de agendar uma próxima reunião para a formatação da proposta.


A “proposta” do Governo, 5% ao ano, dita pelo senhor Mendonça, é um modelo encontrado para que tenhamos segurança que nossos salários não se desvalorizarão até 2015, considerando, ainda segundo o senhor Mendonça, que o cenário econômico internacional hoje é melhor que o de ontem e o Governo vislumbra um cenário um pouco melhor para 2014 e melhor ainda para 2015. Ainda sobre sua avaliação, não temos perdas salariais, porque tivemos evolução salarial desde 2003. Entenda-se, República do PT. O Governo respeita nossos argumentos de perdas mas a avaliação governamental é essa. Descobri que nem sempre 2 e 2 são quatro. Prefiro ficar com minha aritmética do primário e a velha regra de três a procurar entender os métodos matemáticos dos iluminados de plantão.


Na proposta governamental, caso aceitemos esse modelo proposto, toda a discussão de carreira, iniciada após o “ZERO” % do ano passado, e discutida em 5 reuniões da CP, costurada com o IBGE, seria desconsiderada. Todas as reivindicações de carreira que envolvessem custo, com exceção da regulamentação das GQ´s dos novos (de impacto mínimo), teriam que estar no contexto dos 5%. As demais, que não dependam da LOA, poderiam ser discutidas com a Direção do IBGE. Tudo isso dito sem nenhuma manifestação da direção do IBGE presente. Vergonhosa a falta de comprometimento com o corpo de servidores e com o próprio futuro da Instituição.


Todos aqueles que estão próximos da aposentadoria, muitos já com o direito adquirido, aguardando apenas o desenrolar das negociações, sabem bem da importância da valorização do VB para diminuir as perdas na aposentadoria, assim como os colegas que ingressaram recentemente na Instituição aguardam ansiosos por uma carreira que lhes proporcione crescimento profissional e garantias futuras.


Pois bem colegas, avaliação que fazemos, da qual corroboro, é que a proposta de 15% (LINEAR – coisa que o Governo na admitia) em 3 anos, é fruto da GREVE que os servidores impuseram ao Governo e que grande parte dos acordos costurados poderão ser conquistados já, com a manutenção e fortalecimento de nossa greve. Parece-nos uma carta na manga que o Governo tenta nos esconder.


Desde o início das negociações o Governo dizia que ouviria todas as Instituições, mas só algumas ganhariam algo e que o IBGE estaria nesse grupo beneficiado. De repente, diante da greve imposta, surge a proposta linear. Fica claro que os 15% é para quem já estava em situação melhor, com conquistas mais recentes e que para categorias na situação da nossa é possível avançar. Depende de nós, o Governo não dá nada de graça, não tem sensibilidade, é refém da pressão, seja ela de empresários ou trabalhadores. A diferença está na força. Temos que nos unir para demonstrar força.


O desconto dos dias parados - FALTA GREVE, é o último cartucho que o Governo tem e o utiliza para tentar nos fragilizar. NÃO PODEMOS CEDER AGORA, retornar agora é jogar fora TODO O INVESTIMENTO FEITO – é jogar fora TODA A EXPECTATIVA POR UMA CONDIÇÃO MELHOR, é se CURVAR DIANTE DE UM INIMIGO QUE NÃO É TÃO FORTE ASSIM.


A todos e todas colegas que estiveram na greve até agora, que vivem incertezas e dificuldades sem o salário do mês para honrar seus compromissos, que se sentem confusos, inseguros, reflitam sobre a necessidade de nos mantermos firmes na GREVE enquanto durarem as negociações, mais do que isso, que se mobilizem e busque sensibilizar os colegas que não aderiram. Tragam-os para a GREVE.


A PRÓXIMA SEMANA SERÁ DECISIVA!

TEREMOS REUNIÃO DIA 22.
SOMENTE PARALISANDO AS ATIVIDADES DO IBGE SEUS DIRIGENTES E O GOVERNO SENTIRÃO NOSSA FORÇA E NOS LEVARÃO A SÉRIO!
CHEGA DE ENROLAÇÃO!
JÁ ARRANCAMOS 15%
PODEMOS CONSEGUIR MAIS,
SÓ DEPENDE DE NÓS!
ESPERAMOS POR TODOS!

SAUDAÇÕES!

César"

terça-feira, 10 de julho de 2012

Apontamentos sobre a greve – Momento oportuno


Logo que a greve começou a se desenhar e passou a ser vista como possibilidade real, ouvimos que ela estava vindo com atraso; que o momento mais propício pra ela acontecer teria sido no ano do Censo, época que o IBGE fica naturalmente mais em evidência. Não é necessário explorar aqui que a greve não “vem” sozinha; ela é uma construção coletiva, só acontece se todos nós agirmos, e isso simplesmente não ocorreu naquela ocasião. Resta perguntar: valeria a pena deixar de participar dela agora porque esse não seria o “momento ideal”?

Sejamos honestos: bem sabemos quão difícil foi chegar até aqui, o esforço que representa um levante expressivo como esse dentro do IBGE, que pode não acontecer novamente tão cedo! Dito isso, é certo que o momento mais oportuno é o em que temos uma oportunidade, e é nosso dever aproveitá-la.

Isso está acontecendo agora e não somente na nossa instituição – temos visto a quantidade de categorias ligadas ao Governo Federal que estão lutando por melhores condições de trabalho.

No fim o timing acabou atuando a nosso favor, já que o poder de pressão das categorias unidas se multiplica, deixando mais evidente para a população que o Governo Federal precisa repensar sua postura. Nesse contexto, contudo, é ainda mais necessário que nos façamos presentes, pois só assim teremos chances de sermos contemplados. E não podemos ser inocentes: se não garantirmos que isso ocorra pra 2013, não vai ser no ano da Copa que teremos alguma chance de estar entre as prioridades do Governo!

É bom deixar claro para os colegas que concordam com nossos objetivos que a hora de fazer greve é já; não faz sentido esperar a reunião em Brasília no fim do mês para só então tomarmos uma atitude, pois aí tudo já estará definido, será tarde demais. Precisamos parar justamente agora, e se for preciso que os 26 estados parem para o pessoal da avenida Chile aderir definitivamente à greve, que assim seja! Esse é um papel que com agrado podemos cumprir.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Apontamentos sobre a greve – Condicionando a adesão


Dez fazendeiros se comprometeram a fazer a doação de mil litros de leite cada para um povoado que enfrentava fome. Um deles pensou consigo: “ora, já que nove darão mil litros de leite, vou dar mil litros de água e misturar ao deles. No final, de toda forma, teremos dez mil litros de leite”. Muito bem pensado. O problema é que todos tiveram a mesma idéia...

Se por um lado é certo que devemos respeitar a posição dos que são contrários à greve, por outro é natural que procuremos entender quais são os motivos que levam alguns colegas a hesitar tomar parte no movimento. Assim como é precário justificar a não-adesão numa antipatia pessoal em relação ao sindicato ou a um ou outro colega, é igualmente pouco razoável condicionar a adesão à posição de outrem, quaisquer que sejam as pessoas em questão. A decisão de apoiar ou não uma greve é (ou deveria ser), como qualquer decisão política, algo de foro íntimo, que remete à nossa individualidade, ao que temos de mais precioso, nossa ética pessoal – como quando votamos, que buscamos quem representa melhor nossas idéias, não importando se é o candidato mais bonito/rico/amistoso, se é nosso vizinho, se é o mesmo escolhido pelos nossos pais ou pares. Trata-se de um momento em que afirmamos a nossa independência intelectual, que é o que nos faz adultos livres e responsáveis, afinal.

Dito isso, ao longo dos últimos dias ouvimos de várias pessoas que só iriam aderir à greve “se o RJ aderir” ou se determinados colegas aderirem. Como qualquer posição, essa deve ser respeitada, mas nem por isso está acima de questionamentos. Por isso convido os que partilham dessa opinião a problematizá-la e refletir sobre o assunto. Deixemos de lado por um instante que o RJ, no caso, já está em greve; o que significa, na prática, só entrar se X, Y ou Z, entrarem? Faz alguma diferença sobre o que você pensa sobre o seu salário, por exemplo? Será que por trás disso não estaria um sentimento ilusório de que no coletivo, o que eu faço pesa menos, ou que se o outro parar também, a minha ausência será menos sentida? Mas o que isso diz sobre o que você acredita, o que você é? Qual o sentido de aderir só depois “do movimento tomar corpo”? O movimento não precisa justamente de você pra isso? E todos os colegas que já estão em greve, de acordo com essa lógica não deveriam pesar também na balança?